quarta-feira, 12 de setembro de 2007

4 Anões, Forró e Apitaço

Pobre Waru. Ficou um bom tempo abandonado. Mas a chama não se apaga.

Hoje, voltei a escrever. Qual foi o estopim?! ! Guess what!? Estou envolto em pensamentos academicos, estudando pra dedéu, sentando no sofá da sala. Mas algo teima em me incomodar. Um forró chato, contínuo, incômodo, cisma em vir janela a dentro. E alto. Aquele triangulozinho irritante, e um apitaço dos diabos. Mas o que é isso?! Não se tem mais paz? Nem mesmo do oitavo andar?

Não teve jeito, fui ver o que era. Vejam bem, há uma farmácia em frente ao meu prédio. Sei lá eu que gênio publicitário sugeriu a ação que eles estão desenvolvendo. 4 anões, vestidos de palhaço, ao som de forró, fazem graça e bagunça na calçada. Divertindo - ou incomodando - os transeuntes.

Um faz bichinhos para crianças com bolas de gás. Outro apita feito um louco. O terceiro e o quarto, quando não estão fazendo malabares, entregam panfletos. Tudo ao som do mais irritante forró. Ao menos não rolou Banda Calypso. Ainda.

Seria uma ação promocional inocente, ou teria a ver com a votação - HOJE - pela cassação de Renan Calheiros?! Afinal, anões (e suas "pernas de anão"), palhaços (nós, oxiurus) e forró (eeeê ritmo da peste!)... hummm, tem propaganda subliminar aí...

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Una No. Una Noooo!

Impagável. O vídeo do post anterior levou-me, por indicação de uma amiga leitora, a este outro vídeo (abaixo). Este, por sua vez, levou-me àquele ainda outro (mais abaixo ainda). Desnecessário dizer que ambos são hilários. Não resisti. Geralmente prefiro eu mesmo escrever bobagens aqui, mas estes vídeos estão pedindo 'pleoamordedeus'.
Garotada: Navegar na Internet só com as DUAS mãos e com a porta do quarto aberta!



E, não se esqueçam, não deixem as novas expressões tomarem lugar do 'Filho da Puta'. Continuem a usar esta expressão linguística que traduz com máxima clareza o que pensamos de determinado sujeito. Filha-da-puuuuuta!

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Free Speech For The Idiots

Nós somos Oxiurus. Eles dominam o mundo. Entretanto, vejam só o vídeo abaixo. Vale cada segundo do tempo perdido. Americanos ordinários respondem a perguntas básicas como "Quantas Torres Eiffel existem em Paris?", "Qual a principal religião em Israel?", "Quantos lados tem um triângulo?", etc. Atenção também para a parte do mapa mundi. Fenomenal! Vejam as pérolas!

Com vocês... Free Speech for the Idiots:

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Passeador de Gente

Este mundo vai pro brejo mesmo!

Uma evolução da profissão ‘Passeador de Cachorros’. É o Passeador de Gente (chata).
Vejam essa:
“Por R$ 80 é possivel contratar um novo tipo de 'personal', o 'personal friend', diz nota da coluna Gente Boa hoje no Globo. O valor dá direito a 2 horas de companhia - para ir ao shopping, ao cinema etc. O publico alvo deste novo serviço sao pessoas com dificuldade em se relacionar socialmente. O contratante paga por fora alimentaçao e transporte. (Original em Blue Bus em 13/08)
Estou me candidatando já! Disk-Fred já no ar. Se você não tem amigos, é chato, fede e tem pé-inchado, ligue pro disk-Fred e desfrute de 2 horas da minha companhia para passear, bater-papo, ir ao cinema ou ao shopping. Sem contato físico, frisa-se.

É bem provável que eu faça fortuna. Vamos às contas. Oitenta contos por duas horas, trabalhando 8 horas por dia, somarão por mês R$ 6.400,00. Sem gastar com transporte nem alimentaçao. Logo, quase seis e meio limpinho no bolso. Se você for esperto mesmo, enrola o chato e não dá recibo. Nada de RPA. Assim, nem mesmo o leão abocanha a parte dele.

Naturalmente eu já atraio toda sorte de pessoas bizarras e excluídas. Não será esforço nenhum cativar os tímidos e sociopatas. Oportunidade para todos! Pros passeadores e para os ‘passeados’.
Brave New World!

domingo, 12 de agosto de 2007

Ah não! Arrumar a cama já é demais!

Podem me chamar de muita coisa, menos de preguiçoso. Bem, vamos lá, gosto de repousar, desançar, tirar uma sonequinha, take my breath, e outras expressões que definam um curto período de ócio. Mas, bem lembrado, tais períodos quase sempre me levam a escrever aqui. Portanto, não são períodos de inutilidade completa. Resumindo, preguiçoso não sou.

Dito isso, estou respaldado para levantar a bandeira de hoje. Diga não a ter que arrumar a cama! Diga não.

Tenho vários porquês. Contextualizando: hoje empregamos inúmeras ferramentas de otimização de tempo e energia em nossas vidas. Eminentemente no meio profissional, gastar tempo e recursos somente com aquilo que realmente trará retorno é regra básica. Em nossa vida pessoal não é diferente. Cada dia que passa nossas agendas tem que ser mais bem planejadas pra dar tempo de fazer tudo. Nossos orçamentos domésticos mais bem calculados pra lista de compras caber direitinho no bolso. Sendo assim, fazemos de tudo pra não realizar nenhuma atividade à toa. Menos, arrumar a cama.
Por que cargas d’água arrumar a cama sendo que, horas mais tarde, voltaremos a desarrumá-la. Noite após noite. Dia após dia. Seguimos nesse carrossel ‘arruma-desarruma’ por toda vida. Pra que? Por mim, somente se arrumaria a cama quando se fosse receber visita. Ou em dias de faxina geral. Aí, já se está mesmo com a mão na massa, manda brasa. Que desperdício de tempo e energia colocar o lençol pra baixo do colchão, alisa-lo, ajeitar a fronha, centralizar o travesseiro, cobrir com um ou dois edredons e/ou cobertas. Ainda mais naqueles casos em que a cama ta no cantinho da parede. Puuuutz, ou arrasta a cama, ou se esgueira, ou dá uma de contorcionista. Só pra arrumar as cobertas. Definitivamente não vale a pena. Pra, horas adiante, desarrumar tudo outra vez. E este é só o motivo ‘racional’ da coisa.
Poucos prazeres são tão bons quanto deitar numa cama mafuá. Aquele turbilhão de roupa de cama, ainda quentinha da noite anterior. É muuuuuuito mais gostoso e aconchegante. Parece que a cama já te abraça. Voce já deita dormindo. É como um relacionamento com uma amante de longa data. Não tem frescuras e xurumelas. Parte-se direto pra ação (que, neste caso, é dormir). Diferentemente de amante nova. A que tem que pegar na mão, ir despindo devagar pra, só aí então, ir pro que interessa. Puxa o edredon, puxa o lençol de cima, afofa o travesseiro, deita, se cobre todo de novo, e por ai vai. Cansa tanto que quase se perde o sono. Um desastre.

É por essas e por outras que sou contra essa perda de tempo que é arrumar a cama todo dia. E eu não tenho nada de preguiçoso.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Chamusca Rápida

2 Chamuscadas rapidinhas, só pra fechar o dia:

É proibido pescar.
O brasileiro, como bom oxiurus criativo, vive me supreendendo. Olhem só essa aqui. No bairro de Interlagos, em São Paulo, um buraco no asfalto deve estar fazendo aniversário. Para comemorar o descaso das autoridades algum oxiurus mais saidinho deu esse belo tapa de luva. (original em Blue Bus de 09/08/07)
Brinquedo de Adulto.

Vida sexual de americano só não deve ser mais sem graça do que de inglês. Vejam só essa.
Sutian e cueca com sensores pro casal jogar games entre as quatro paredes. As duas peças têm 6 sensores que permitem jogar videogame. O jogo é controlado a partir dos toques nesses sensores - alguns estão em pontos providencialmente 'estratégicos'. (original em Blue Bus de 09/08/07)
Fantasia de aeromoça com chicotinho dizendo 'segura que vai cair, vai cair' dá mais tesão que isso...

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Dois Pesos, Duas Medidas

'Brasil, um país de todos'.
Hahaha!
Deu na Folha de São Paulo hoje:
'Avião de Lula jamais voa com apenas um reverso funcionando'.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva só viaja em uma aeronave Airbus-A319 se os reversos estiverem destravados.
A ordem é do GTE (Grupo de Transporte Especial), ligado à Aeronáutica. Segundo o
comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, é uma orientação extra de segurança em
relação às recomendações determinadas pela fabricante da aeronave.
"Por norma de segurança, não é permitido voar sem o reverso. É uma norma de segurança para transportar o mais alto mandatário na nação, não pode operar sem o reverso".
Geralmente eu prefiro falar bobagens e amenidades por aqui. Mas tem dias em que leio cada absurdo que não me contenho. Hoje é um desses dias. Bem, anteriormente a TAM havia afirmado que o fato de um dos reversos estar travado não é impeditivo de condições de pouso. Hoje a Aeronáutica faz uma afirmação dessas. Ora bolas, o nosso presidente não pode voar com um reversinho travado. É perigoso. Mas eu (tu, ele - exceto o Lula, nós, vós, eles) podemos!
O que é isso, companheiro?! Dois pesos, duas medidas? Uma vida vale mais do que outra? Brasil, um país de todos????

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

A Dona Girafa

Eu sou um cara que vê as coisas por ângulos diferentes. Muitas vezes isso é uma boa coisa. Outras vezes, não.

Lembro-me de uma certa ocasião, quando ainda éramos universitários, há muitos anos atrás, em que resolvemos – eu e uns amigos – fazer uma noite pipoca e vídeo. Nada de DVD na época. VHS mesmo.

Fomos em bando à vídeo locadora. Naquela galinhagem. Homens e mulheres (ou melhor, meninos e meninas), já aquecidos por um vinho vagabundo, cada um dava uma sugestão de filme. A maioria, naquela altura do campeonato, tendia pro terror. Mas teve lá um sem-vergonha que sugeriu – ‘vamos alugar um pornô!’. Pra minha surpresa, a galera aderiu.

Galinhagem vai, galinhagem vem, e um se lembra do clássico universal do pornô:
- ‘Vamos alugar ‘Garganta Profunda’!
Na mesma hora emendei, como que por reflexo:
- ‘Estrelando...Dona Girafa!’.

Ninguém achou graça. Aliás, na hora ninguém entendeu. Creio que pelo vinho.

Enfim, todo mundo diz que a girafa tem pescoço comprido, mas, naquele momento, ninguém se lembrou que, sendo assim, ela também tinha garganta profunda. Só eu, que vejo as coisas por outro ângulo.

Maldita habilidade. Melou o pornozão. Ficamos no terror mesmo.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Fogão Vs. Piscina

Eu já contei pra vocês a história do cara que comprou um fogão pela internet e recebeu uma piscina? Pois é, esse cara sou eu.

Quando fui morar em Porto Alegre adotei a seguinte estratégia: eu não tinha nada além dos meus CDs, DVDs, livros e roupas. Por mais que isso somasse uma quantidade inacreditável de tralha, não era, nem de longe, o mínimo para sobrevivência. Dessa maneira, eu tive que comprar tudo. Tu-do. E não, não ganhei nada de ninguém. Minto, minha mãe me deu um jogo de toalhas de prato.

Como sou muito moderninho comprei tudo pela internet. Todos os eletrodomésticos, digo. Os móveis, em dois dias eu resolvi na Tok&Stok. O restante (pratos, garfos, toalhas, etc.) fui comprando no Zaffari perto de casa, quando dava falta por eles. Enfim, assim mobiliei - muito competentemente - meu cafofo.

Mas vamos ao que interessa na história. O mais caro de tudo - eletro-eletrônicos e linha branca - foi mesmo tudo on line. Geladeira, maquina de lavar, forninho, DVD, Home-cinema, TV 29', etc, etc, etc. Tudo foi encaminhado pra casa da minha mãe, aqui em Niterói, e quando tudo havia sido entregue corretamente pela Americanas.com, Submarino, Extra.com e tal, despachei de uma só vez a mudança pra POA. Perfeito. Deu tudo mais certo do que eu podia esperar. Só havia faltado o fogão. Nem mesmo sei por que raios não comprei o fogão nessa leva.

Enfim, o fogão eu comprei depois, e mandei entregar direto on ap em POA. Compra feita, dia marcado para recebimento. Era um sábado, e a Magazine Luiza iria entregar de manha. Evidentemente a manha passou e eu fiquei preso em casa aguardando. Nem sinal. Iria chegar mesmo era na justa hora do almoço. OK, calhou de, naquele dia, a galerinha marcar um almoço numa churrascaria tradicional de POA, e eu, como bom carnívoro, não poderia perder. Liguei o foda-se, orientei o porteiro do prédio que eu aguardava uma mercadoria (um fogão) e que era para ele receber. Quando chegasse eu levaria para cima. Tudo conversado, nada resolvido.

O almoço foi ótimo. Eu havia dado carona a F.T.Z.. Na volta, já adiantadas 3 horas da tarde, chopps na cabeça, etc. convidei F.T.Z. para subir e conhecer o ap. Sem maldade. Na boa mesmo. Chegamos lá e o porteiro da tarde (outro, diferente do que orientei pacientemente), com cara blasé atrás do balcão, me perguntou:

- 'Você é o novo morador do 209, não é?'.
Eu disse, -'SIM! tem algo aí pra mim?! Chegou meu fogão?'.
E ele me respondeu - haha - com aquela cara: - 'chegou uma piscina'.
- 'O queeee? Uma piscina?'
- 'É. Piscina.'

F.T.Z., que estava ao meu lado, fez o seguinte comentário:
- 'Ah, hoje tem fogões com nomes tão estranhos... Capri, Vilaggio, etc. Vai ver
o seu é Piscina'.
Não, nem mesmo com vários chopps na cabeça essa afirmação me pareceu plausível. Neste momento o porteiro já estava saindo da salinha de tralhas deles, com a embalagem. Ele nem mesmo conseguia a tirar do chão, de tão pesada. Arrastou até minha atônita figura e me entregou a Nota Fiscal. Nela constavam todos os meus dados. Corretíssimos. Entretanto: mercadoria - piscina tony 5 mil litros. Dimensões tal e tal. (OBS: preço mais caro do que o meu fogão, haha).
Não teve jeito. Tive mesmo que subir com a minha piscina pra casa. Não dava nem pra montá-la, pois as dimensões dela eram maiores do que a própria sala.

Demorei duas semanas para conseguir trocar a Piscina pelo meu fogão. Duas semanas e algumas ligações em que até mesmo as atendentes do SAC do Magazine Luiza riam da história. A justificativa deles foi que era inicio de operação on line e que estes problemas estavam acontecendo com freqüência pois o software bla bla bla.

Que nada! Fico imaginando a conversa dos preparadores de carga da expedição.
- 'Tche, acabaram os fogões Dako de 4 bocas e tem mais essa Nota aqui'.
- 'Hummm, verdade. Pra onde é? (...) Cidade Baixa?! Hummm.
- 'Bah, olha aqui, o celular do tal do Frederico é do Rio. Um carioca se mudou pra Cidade Baixa. Deve ser estudante. E, no mínimo, maconheiro. Sabe como é, carioca, Cidade Baixa, UFRGS...'.
- 'Ah, embala aí essa piscina que ta sobrando aqui. Ele nem vai notar a diferença. Afinal, vai adorar ficar estiradão na sala fumando um beck, vendo TV de dentro da piscina'.
- 'Mas que grande idéia, tche! me da uma mão aqui com isso...'.
Tudo isso pra nada. Morei dois anos e meio e o fogão nunca foi ligado. Nunca comprei gás. Nunca. Tenho pra mim que fiquei traumatizado.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Room Mate

Eu devia ser um dos personagens da série ‘Heroes’. Tenho uma capacidade muito curiosa. Digamos, um magnetismo sobrenatural. E ele se manifesta da seguinte maneira: eu atraio pessoas estranhas. Muito estranhas. Dessa maneira, meu circulo de amizade é absolutamente heterogêneo. Aliás, em uma coisa eles são iguais: são todos loucos. Em maior ou menor grau.

Muito bem, estava eu lembrando de um sujeito, então amigo meu, que foi morar numa cidade do interior de Santa Catarina. Isso há muitos anos atrás. Chegando lá ele alugou um modesto apartamento. Como a grana era muito curta, o sujeito colocou um anuncio no jornal local, oferecendo o ap para possíveis, digamos, room mates. Logo surgiu um interessado. Estudante que havia vindo de uma cidade ainda mais do interior. Pinta de hippie maconheiro, boina de lã com as cores da Jamaica na cabeça, violão debaixo do braço. Como nem todos os loucos são petistas e bichos-grilo – e este tal meu amigo é o justo contrário – fascista, racista, radical, enfim, gaúcho – os dois não se enamoraram muito. Contudo, como precisava rachar as despesas com alguém, não houve jeito. Meu amigo aceitou a cruza de Raulzito com Bob Marley em seu ap. Suas ultimas palavras foram ‘muito bem, amanha você já pode trazer as suas coisas pra cá. Tu ficas com a sala e eu com o quarto’.

Dito e feito. No dia seguinte, meu amigo chega cedo em casa. Duro na cana da noite anterior. A havia passado fora, bebendo ao feito de ter, rapidamente, arrumado um room mate. Ao abrir a porta, a surpresa. Uma barraca de camping surrada, modelo tendinha, estava fincada até o talo por cravos enfiados no sinteco da sala. Hahaha. Impossível eu não me abrir de tanto rir ao lembrar dele contando a cena. Incrédulo até hoje de situação tão sui generis.

‘As coisas’ do seu room mate se resumiam a esta barraca de camping, o banjo, um colchonete mofado, meia dúzia de incensos fedorentos e livros comunistas. Meu amigo, um bom sujeito apesar dos predicados que o dei acima, aguentou alguns meses o picareta. Um dia não deu mais e o colocou pra fora. No entanto, o que o marcou no episódio foi mesmo a tendinha.

Até hoje brada de raiva: ‘Uma tendinha! Pra uma pessoa! Nem pra ser um iglu!’

domingo, 29 de julho de 2007

Xanadu

Dias de chuva e frio no Rio de Janeiro. Dias de namorada aqui em casa. Somadas essas variáveis, resultado da equação: dias de muito filme. Seja cinema, seja no DVD, vimos filme pra dedéu.

Assistimos de tudo. Entre blockbusters bobocas (que, geralmente muito me agradam) como ‘O Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado’ e ‘Harry Potter e A Ordem da Fênix’, filminhos água com açúcar como ‘Somos Marshall’, ‘Elza e Fred’, críticas ácidas (e engraçadíssimas) como ‘Borat’, semi-documentários como ‘Murderball’ e, por fim, ultrajes totais como ‘O Segredo’. Ficaram de fora do meu ímpeto blockbuster boboca ‘Transformers’ e ‘Piratas do Caribe 3’. Pra esses a muié não deu o braço a torcer. Faltou Shrek 3 também, pois só achávamos versões dubladas nos cinemas. Não dá. Enfim, o ponto altíssimo, sem dúvida, foi ‘Somos Marshall’. Vejam. Bem na linha ‘Duelo de Titãs’.

Muito bem, cabe uma revoltadíssima crítica. Mas que merda de porcaria é esse tal de ‘O Segredo’. Um total ultraje! Um soco na inteligência de uma ameba, quem dirá na nossa bípede intelectualidade! Meu Deus! Que revolta. Não bastasse, estava eu agora mesmo devorando ‘Veja’, ritual de todos os domingos. Dei uma olhada na lista dos livros mais vendidos e segue no topo dos Auto-Ajuda ‘O Segredo’. Olha aqui, eu não li esta merda e não pretendo nem por as mãos nessa porcaria, mas vi a merda do filme (por indicação...). Impressionante o que divulgação e material de PDV são capazes de fazer hoje em dia... Entre em uma livraria e você será abalroado por uma pilha de ‘O Segredo’ antes que se de conta.

Percebi - aliás, reforcei - a constatação de que o negócio editorial hoje é lançar livros-parasita. Não bastassem os milhares de parasitas lançados após O Código da Vinci (desvendando o C da V; muito além do C da V; a verdade por trás de o C da V, etc, etc, etc.), O Segredo criou o mesmo séqüito. Na mesma lista de mais vendidos de Veja estão: ‘A Lei da Atração’, ‘A Lei Universal da Atração’ e ‘Muito Além do Segredo’. Hahaha, é cômico o paladar literário do brasileiro. Oxiurus são oxiurus.

Mas, na lista, achei uma boa notícia. Após quase um ano pregando, quase sozinho, a maravilha é que um tal livro espanhol chamado ‘A Sombra do Vento’ (que também me foi indicado por alguém que prezo muito) fiquei feliz em vê-lo na lista dos Ficção mais vendidos. Sexto lugar. Bem, ainda atrás da boy-band da moda – os livros que falam de Cabul...
(Chegaremos lá Zafón! O domínio árabe sobre a Espanha durou séculos, mas caiu. Esse domínio também cairá.)

O Pan está acabando, as caixas pretas disseram (até agora) que a falha foi do piloto, Renan Calheiros está comendo pizza com o Brasil e a Caren foi embora hoje. Durante 15 dias achei Xanadu e por lá fiquei. Hoje peguei uma trilha diferente e me perdi de Xanadu. A loirinha se foi pro sul (de avião, ui!). Mas tudo bem, já chegou e já ligou. Alívio. Mês que vem acho Xanadu novamente.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Carlos Silva

Sexta feira passada - dia 20/07 - saímos pra tomar chopp. Como de costume. Fomos ao 'Sao Nunca', bar que eu detesto, mas que, por ficar a pé de casa, sempre estamos por lá bebericando.

Era uma noite agradável e eu, Caren e Bolinha caminhávamos até o bar, aproveitando a brisa da praia. Foi quando passamos por um ponto de onibus, aonde, sozinha, no escurinho, descansava uma carteira abandonada. Foi Caren quem a viu e, com muita discriçao me apontou. Coloquei-a no bolso e seguimos com cara de que nada havia ocorrido. O ponto estava vazio e, muito provavelmente, o dono da carteira havia tomado o onibus há menos de um minuto. Afinal, malandro tem olho clinico pra oportunidade e a carteira nao iria ficar alí por muito tempo. Era fato recente. Ou, pegadinha do Faustao.

Em menos de um minuto chegamos ao bar, sentamos, pedimos chopp (antes de mais nada, é claro), cumprimentamos os presentes e aí entao, de copo na mao, procedemos ao relato do fato. 'Ta todo mundo com suas carteiras aí?'; 'Alguém perdeu a carteira?' (só pra fazer um mistério). Bem, rufaram os tambores e tirei a carteira do bolso. Nunca, jamais, havia passado pela nossa cabeça de nos aproveitarmos da situaçao. De surrupiar o dinheiro e entregar a carteira à polícia ou coisa que o valha. Na verdade, nossa única intençao era devolve-la, intacta, ao desatento e azarado dono. Caren sugeriu deixarmos na cabine da polícia que existe na praia. Nao. Bolinha disse para deixarmos na caixa de correio. Nao. Nenhuma me pareceu confiável. Entao, meio sem saber o que fazer, resolvi, pela primeira vez, abrir a carteira.

Era uma carteira de couro. Bonita, até. Marrom escuro. Nova. Tamanho ideal. Me deu uma invejazinha do dono, pois eu (e Caren) procuro um modelo assim pra mim há tempos. Enfim, abri. De cara a identidade: Carlos Silva. 50 e poucos anos, negro, bigodao, olhos simpáticos. O que me chamou imediata atençao foi a filiaçao: Celina Silva, apenas. Carlos Silva nao tinha pai declarado. Carlos Silva era um trabalhador. Humilde. Igual a milhoes outros Carlos Silva nesse imenso Brasil. Outros aspectos atrairam minha atençao. Cartao de orelhao 'Oi'. Cartao 'Fininvest'. Nao abri a parte do dinheiro - nem mesmo me interessava o quanto havia alí. Mas, no manusear, vi um dolarzinho. O clássico dolar da sorte. Carlos Silva, assim como eu, também tinha um dolarzinho da sorte na carteira. Enquanto meu pensamento (muito pouco normal) viajava imaginando quem seria Carlos Silva, como era sua vida - que me parecia tao distante e diferente da minha, as pessoas ao meu redor berravam 'Procura um numero de celular', 'Ve se tem algum telefone', 'Quanto tem de grana?', 'U-hu, vamos beber por conta do Carlos Silva'. Etc.

De fato havia um numero de celular. Numa das repartiçoes da carteira tinha, anotado numa tirinha de papel (como aquelas de biscoito da sorte do China in Box), um numero de celular. O primeiro impulso era sacar o meu celular e bater um fio pro Carlitos (que, nesse momento, já era amigo íntimo meu). Mas a voz da razao falou mais alto e eu lembrei que estávamos no Brasil. Eu nada sabia sobre Carlos Silva e, talvez, nao fosse uma boa ele ter o numero do meu celular. Aí resolvi pedir à casa o telefone fixo. Chamei o garçom e pedi o telefone do 'Sao Nunca'. Expliquei a situaçao e ele ligou. Ouvi de canto ele dizer a Carlos Silva que sua carteira tinha sido encontrada e que ele poderia ir até lá pegá-la. A maladragem nao demorou a surgir. O graçom me pediu a carteira dizendo que ele mesmo entregaria a Carlos Silva. Nao. Nao topei. Eu era o guardiao dos trocados de Carlitos. Que Carlos Silva viesse até nossa mesa pegá-la. Isso feito, voltamos a beber. E muito.

Uma hora depois (e uns 5 chopps no meio tempo) tres garçons aboradaram e mesa. Junto a eles Carlos Silva. Negro, bonachao, bigodao, chapéu de panamá na cabeça e pandeiro debaixo do sovaco. Um boemio! Carlos Silva estava em extase. Meio anestesiado. Talvez pela incredulidade de ter ido do inferno ao céu. Numa hora tinha perdido tudo. Carteira, documentos, dinheiro. Na outra, os havia recuperado intactos. Qualquer um ficaria meio paspalho. Carlos Silva me olhou com os olhos apertados, olhou pra carteira em minhas maos e balbuciou algumas palavras que eu nao entendi. Entreguei a carteira a ele e ele me deu um abraço forte, agradecendo repetidamente. Seu segundo impulso foi abrir a carteira e me oferecer uma 'recompensa'. 'De jeito nenhum. Nao precisa. O que é isso'. Carlos Silva me agraeceu mais umas 47 vezes e partiu. Com sua roupa de pandeirista da Viradouro. Antes, palavras de 'tudo de bom a voce. Felicidades'. Ao qual respondemos: 'pra todos nós'.

Tornamos a beber. Dessa vez, à Carlos Silva.
Enfim, uma liçao. Estamos nessa vida para ajudarmos uns aos outros. É isso.

RUSH - Limelight
(...)
All the worlds indeed a stage
And we are merely players
Performers and portrayers
Each anothers audience
Outside the gilded cage
(...)

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Cançao do Exílio à CGH

Me ocorreu agora. Após Gonçalves Dias:

'Minha Terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá;
As aeronaves que aqui decolam,
Talvez nao pousem acolá.'

Roleta Russa à Brasileira

Quantas vezes eu fiz AQUELE pouso? 10, 20, talvez mais...

Morei 2 anos e meio em Porto Alegre. Vinha com muita frequência ao Rio. Quase a absoluta totalidade dos voos POA-GIG tem escala em CGH. Quase todos. Se eu levar em consideração o fato de que os mais baratos sempre tem escala, e eu sempre voo os mais baratos, afirmo: fiz aquele pouso em torno de duas dúzias de vezes na vida.
Eu podia ter morrido por duas dúzias de vezes. Uma roleta russa.
Minha namorada fez este pouso de sábado para domingo a noite, ao vir de POA pro Rio. Com escala em SP, óbvio.
4 dias antes, o mesmo pouso. O mesmo risco.

A impressão que tenho é que cada vez em que ouço 'portas em automático' é como se um arma fosse apontada para minha cabeça. Cada vez em que o serviço de bordo começa a ser servido, o tambor do revolver fosse girado. Cada vez em que ouço 'estamos iniciando procedimento de pouso' o gatilho fosse apertado. E daí pra frente só poder contar com a sorte de não ter sido a cavidade do tambor ocupada pela bala mortífera.
O que houve com o Brasil? O que houve com a Responsabilidade? O que houve com os Valores? O que houve com as Pessoas? Será que seguiremos nos comportando como Oxiurus?
Meus pêsames mais sinceros aos parentes das vítimas. Estou de LUTO.

OBS
: Será que esta tragédia vai colocar panos quentes no escândalo Renan Calheiros. Que, por sinal, já esta esfriando. (Já pegou a sua senha pra pizzaria?)

sábado, 14 de julho de 2007

"Every pleasure always hold an equal share of pain"

Pode parecer estúpido, mas essa bela frase (ao menos pra mim) faz parte da letra da música "Castles in the Air", do Hoodoo Gurus, uma excelente banda de surf music australiana.
Bem... e aí? E ai que, segundo esta filosofia, todo passo na vida tem seus ónus e seus bónus. E é disso que vou discorrer.

Eu sempre fui um cara que segue, com muito otimismo, em frente. Incondicionalmente. E essa postura costuma trazer mudanças com muita rapidez. Assim sendo, aprendi a ser absolutamente adaptável. E, nessa matéria, passei com louvor. Entretanto, ao passo que me adapto facilmente às mudanças e sou muito desapegado à materialidade, o outro lado da moeda também é muito forte. Sou extremamente saudosista. É como se eu nunca hesitasse em mover adiante, mas o preço que pago por isso é ter de viver remoendo memórias. São apenas 27 anos, mas que parecem 54, de tanto revive-los dentro da caixola.

As vezes me pego por horas perdido em pensamentos distantes, lembrando de tempos passados. Não que eu os deseje de volta, mas sim pelo prazer de remontar alguns momentos muito especiais. Talvez na ânsia de fixá-los na memória, pois, afinal de contas, tudo tem acontecido numa velocidade tão acachapante que o presente vira passado num piscar de olhos. Assim, acredito que, revivendo mentalmente, conseguirei fixar cada momento em seu lugar, com seu devido valor e prazer. Não os perdendo nesse caudaloso rio da vida.

Pois bem, isso tudo é para dizer que, não tem um mês que saí do Rio Grande do Sul e to com uma saudade da porra de uma série de coisas. E de pessoas.

Elenco-os:
Saudade de "Xis". Sim, xis, um sanduíche enorme que só tem lá. Come-se de garfo e faca. Sinto falta do Xis do Cavanha's, e, principalmente do Santa Fé. Sinto falta de caminhar meia quadra e ir ao Zaffari, aonde o atendimento era um primor, e comprar uma dúzia de Eisenbahn Dunkel pra beber solito nas noites de dia de semana. Sinto falta da Panvel, farmácia cara pra burro mas que, igual ao Zaffari, tinha um atendimento especial. Sinto falta de jogar paddle com os 'guris', que de guris só tinham o espírito. Sinto saudade do Bar do Beto, aonde íamos beber e falar bobagens todas as terças após o paddle. Sinto falta do John Bull, do Cherry Blues Pub, do Abbey Road, do Dublin, do Dohmba, do Joy Division, das festas Balonê, do Bar do David. Saudades de comer aquele churrasco maravilhoso da Porto Alegrense, ou da Komka, que parecia um almoço medieval, com os espetos oscilando na sua frente e o sangue pingando. Saudades de almoçar na Zona Sul, seja do Dado Pub (hoje Pubway) ou no Macrhy com os grandes amigos que lá fiz. Saudade de almoçar no Atelier das Massas aos sábados no intervalo das aulas da Pós. Saudade de pegar o carro e percorrer horas a fio estradas cujo visual deixa todos boquiabertos. Pela Serra Gaúcha, de ir a Gramado e a Nova Petrópolis, e, antes de pegar no batente, tomar um cafézinho bem quentinho, logo cedo, a 5 graus celcius na rua. Saudade dos dias ensolarados, mas com a temperatura lá em baixo, em que eu percorria as curvas da serra olhando para aqueles montes lindos. Saudade da fumacinha que saía da boca. Saudade também do inverno na praia, em que não se via vivalma na estrada, tudo era cinza, mas minha alma cantava enquanto eu dirigia ouvindo musica alta. Saudade do dia em que descobri que o ar-condicionado do carro também servia pra esquentar e, assim, minhas viagens passaram a ser mais confortáveis. Saudade de ir a Santa Cruz e almoçar na Gruta dos Índios, ou ir a Caxias do Sul e me esbaldar em comidas maravilhosas, com a excelente companhia de grandes amigos. Saudade de tomar aquele chopp gelado num bistro ao lado do Posto Demari, olhando a tarde acabar. Sinto falta de chamar dinheiro de 'pila', de ver as pessoas desabrocharem com a chegada do verão, de perceber a migração dos gaúchos para o litoral nessa época do ano. Sinto falta de observar, atónito, a gana (quase irracional) com que os gremistas defendiam o grémio e os colorados enalteciam o Inter. Saudade de ficar sozinho nos hotéis a noite, sentindo saudades. Saudade da Scissor's Maniac, de Nosefather, de F.T.Z., de The Compressed, do Cabreira Maos de Lady, Vladimir Catatau, Elias Zé Colmeia, Reginho mal-humor, do Titica, do Pedro Bainha, do Vinibala e de tantos outros. Saudades das trocas de mensagens eternas no celular, madrugada a dentro. Saudades até mesmo do chimarrao (pasmem!), que me custou uma multa de transito. Saudade do cachorro-quente do Rosário, de sagú. Sinto falta de caminhar bêbado até o numero 209 (meu apto.) ao longo de um corredor quilométrico e escuro. Saudade do Natal Luz, saudade de surfar em Cidreira, na Salinésia. Saudade de estar próximo a Floripa. Saudade de morar sozinho. Saudade da noite em que eu, Scissor's Maniac e F.T.Z. nos empedramos lá em casa e caímos capotados. Saudades dos jogos da Copa na casa do Castilho, em que bebíamos muitos litros de cerveja alema. Saudade de esquiar no Guaíba com o Pedro Bainha. Das trapalhadas dele. Das brincadeiras bobocas do Vinibala. Dos papos com Nosefather. Da companhia de pessoas especiais. Saudade dos amigos que lá deixei. Todos eles.

Mas, 'navegar é preciso, viver não é preciso'. Vamos em frente. Sempre.
Trago tudo isso na memória e no coração. E, sempre, reviverei estes momentos.