domingo, 30 de março de 2008

Tudo Por Um Acento Agudo

Hoje passei o dia inerte. Estático. Parado. Antes estivesse apenas à toa. Trata-se de um status muito diferente. Estar à toa e estar inerte são coisas completamente distintas. À toa você fica quando está com a vida ganha. Sorrindo feito bobo, aquele sorriso lânguido, que se arrasta pra tudo e pra todos. Como quem estampa na face a frase "acabei de comer a Angelina Jolie". Por sua vez, inerte, estático, parado remetem a outro estado. Fiquei preso, encarcerado, algemado.

Tudo por um compromisso moral comigo mesmo. Fiquei preso em casa, estudando. Caí na besteira de me inscrever no concurso público para a ANP. E o fiz sem ler o edital. Sem saber que, além dos conhecimentos básicos exigidos para o meu cargo de Publicitário, também cobram do sujeito noções tórridas de direito. Administrativo, Constitucional, Regulação do Petróleo sei lá das quantas. Ahhh, quanta baboseira! Pra que? Pra que, eu me pergunto! Logo eu, que agora estou muito satisfeito com meu trabalho. Uso até mesmo terno e gravata! Vejam só! O que posso eu desejar a mais nessa vida?

Pois bem, a resposta é simples. Quero é um acento agudo. Só isso. O famoso chapéuzinho da vovó. Não que esse maldito concurso vá me proporcionar o tão almejado acento. Mas foi a ânsia juvenil de obtê-lo que me meteu nessa enrascada.

Que acento é esse? Ah, muito simples. Um que transforme o segundo E do meu nome de tônico, fechado, para aberto - abertassssso - e agudo.

De Frederico pra Fred é rico.

sexta-feira, 28 de março de 2008

O Post 69

Pois bem. Chegamos a ele: o Post de número sessenta e nove. Sobe-me um calafrio na espinha, só de escrever esse número. Mentes mais acaloradas que se acalmem. Não comecem a navegar por imagens obscenas. O post 69 não significa sacanagem – apesar de inspirar. O post meia nove me deixa arrepiado por que nunca imaginei chegar tão longe. Nunca pensei em ter um blog, quem dirá atualizá-lo (quase) constantemente por (quase) um ano.

Feito o quebra-gelo, vamos ao que interessa. Penetremos no post 69. Hoje vim aqui dizer que estou estupefato. Pasmo com o rumo das coisas. Do que estou falando? Simples. Estou pasmo por que o ser humano morreu. Mó-rreu. Já era. Ficou obsoleto. Deu lugar a outro bicho. Ou melhor, outro bicho-máquina.

Nunca um pensador foi tão certeiro quanto Marshall McLuhan. Esse sujeito – que morreu em 1980 – já dizia o seguinte: “os meios de comunicação são as extensões do ser humano”. E dizia isso em 1964, no livro “Understanding Media: The Extensions of Man” (engana-se quem pensa que foi no “The Medium is the Message”, o mais famoso livro de McLuhan). Não vou polemizar, nem entrar muito a fundo nesse debate, pois não é o momento. Mas o pensamento de McLuhan cai como uma luva no filme abaixo.



Como pode, uma criança que mal completou um ano de idade manipular um Iphone com tanta facilidade? O mesmo questionamento serve para outros exemplos. Como pode eu não saber de cor o número de celular da minha namorada? Nem mesmo o meu próprio número (do meu novo celular corporativo)? Como o ser humano passou a depender tão cordatamente dos objetos tecnológicos que nos cercam? E pior, não apenas dependemos deles. Nos fundimos a eles. É exatamente o que McLuhan previa há 40 anos! O celular é nossa memória, nossa voz. A câmera nossos olhos. O carro nossas pernas.

Atualmente ainda conseguimos perceber o mundo entendendo estes artefatos como objetos e instrumentos. Mas e essa criança aí do vídeo? Ela que já nasceu manipulando um Iphone. Ela que já nasceu com YouTube, Orkut, Facebook? Pendrive, PlayStation 3 e E-ticket da Gol? Ela não será capaz de viver sem essa tecnologia. Ela será parte dessa tecnologia. É um novo ser humano. É um andróide sem circuitos internos – ainda.

Passamos por muitas gerações. Babyboomers, Yuppies, Hippies, Generation X, Information Generation, etc. E esta nova geração? O que será desses super-seres? Que grau de competição terei, daqui a 20 anos, contra esse recém nascido? Eu, então com quase cinqüenta anos e ela na flor de sua tecno-idade?

Todos sabemos que crianças aprendem e absorvem informações como uma esponja. Nos tenros anos da primeira idade o ser humano é capaz de aprender numa velocidade enorme. Qual será a velocidade de criação de novas sinapses neurais que esse lindo bebê está desenvolvendo? Eu confesso que já peguei um Iphone, na minha mão, mais de uma vez. Parecia um boboca, com medo de passar o dedo na tela. Com medo de fazer qualquer besteira. E essa menininha? Ela está em casa! É tão natural quanto catucar a orelha ou o nariz. Absolutamente a vontade com o bicho.

É o fim do ser-humano. Eu, você, leitor, todos nós que já estamos com quase três décadas de vida, ficamos pra trás. Fomos pro ralo. O mundo será dos novos seres humanos. Updated. Version 2.0.

Nos restará o sessenta e nove.

segunda-feira, 24 de março de 2008

O pato, o terno e a gravata

Há tempos que tenho sido um blogger desnaturado. Não tenho nutrido o Waru de suas bobagens constantes. Mas isso tem um motivo. Quem trabalha não tem tempo pra escrever baboseiras. Notem, eu disse escrever. Porque pensar, ahhhh, quem trabalha pensa muito mais baboseira do que quem não labuta. O problema é o tempo pra colocar isso no papel. Ou no computador, como queiram.

A percepção desse fato é clara. Durante meu período sabático - ou quase sabático, pois, afinal eu fingia que estudava o dia todo – minha produção no Waru era vasta. Como acompanhava todos os noticiários, em diversas mídias, o combustível era farto. Atualmente, minha única fonte de baboseira diária é ouvir a BandNews, no longo trajeto entre Niterói e a Barra da Tijuca – O Universo número 2. Ao menos vou bem acompanhado, junto ao Boechat, Megali e José Simão. Time impagável.

Agora, que faço esta viagem intergaláctica diariamente e passo o dia pegando no batente, o Waru quase virou cinzas.

Mas eu sou mesmo cheio de rodeios. Há três parágrafos estou aqui dando voltas. Vim aqui para dizer que terno e gravata é o que há. Principalmente para alguém como eu, cujo ditado de vida é “poleiro de pato é no chão”.

Explico: tem gente que tem uma certa aura nobre. Estirpe, eu diria. Uma pose natural que inspira respeito. Parece que veio de uma casta nobre, do topo da pirâmide. Não é plebeu. É nobre. E não está nem no fato de ter um monte de sobrenome. O meu nome é quilométrico e nem por isso desfruto de tal aura. Por outro lado, tem gente que é “simplesinha”. É normal. Se mistura facilmente na multidão. É blasé sem querer ser. Esse sou eu. E esses são os patos. Pato não tem poleiro. Pato não canta, não cacareja. Pato não se destaca. Pato é pato. E poleiro de pato, meu amigo, é na chon!

Só que o bicho homem é bicho malandro. E sabe como suprir suas carências. E, aliás, é isso que o difere do resto dos animais. Dos patos, por exemplo. O bicho homem, quando não tem essa aura de nobreza natural supre essa carência vestindo terno e gravata, ora! Basta envergar um uniforme de pingüim que o sujeito vira qualquer coisa imponente. Juiz, presidente, gerente, diretor, superintendente, CEO, qualquer nome de posição que emane importância. Tirando, é claro, os seguranças de porta de boite. Mas esses usam aquelas gravatas falsas, com elástico no pescoço. Então não vale. Quem dá nó em gravata é que tem direito a ser promovido a nobre.

Um dos meus amigos mais inteligentes – e que portanto, nunca leu o Waru – diz uma frase muito cheia de razão: o terno é a armadura do homem moderno. É com ele que o homem combate o dia a dia. Mas que espetáculo de colocação. Ainda mais vindo dele. Um advogado que enfrenta – com muita coragem e de terno e gravata – o sol escaldante do Centro do Rio pra ir ao Fórum. Isso é que é guerra!

Pois bem, recentemente, eu passei a usar tal artifício para subir no poleiro. Entrei na beca. Vesti o terno. E não quero mais saber de tirar. Virei nobre. Virei gente. Muito curiosa a reação das pessoas. Visualizem: entrei numa empresa nova, em que ninguém me conhece. Fui orientado a pintar por lá todos os dias de terno e gravata. Esse é o dress code vigente. Ganhei cadeira de espaldar alto, com braços, e cheia de manivelas por debaixo pro sujeito achar seu conforto. Pronto, foi o suficiente pra ninguém me olhar no olho. Ninguém falar alto na minha presença. Pro grupinho em torno da máquina de café parar de falar e interromper a piada no meio quando eu chego. Pra que os outros sujeitos de terno me cumprimentem, sem nunca terem me visto antes. Impressionante.

Não que eu esteja gostando dessa situação. Não que eu tenha esse desdém no olhar, próprio dos homens de terno. Mas que é engraçado perceber que qualquer pato pode virar cisne, é.
Meu único medo é que, com o passar do tempo, minhas penas comecem a aparecer por debaixo dos botões. Percebam que eu não fico confortável dentro da armadura. Que eu não tenho essa aura, essa estirpe. Que eu sou mesmo é pato! E que poleiro de pato é no chão!

terça-feira, 4 de março de 2008

O D 'd On Life Itself

Um mês e meio. Um pouco mais, ou um pouco menos.
Nesses dias - que transcorreram sem a minha presença no Waru, diga-se de passagem - aconteceram mais fatos novos do que nos últimos seis meses. Bem, ao menos coisas boas. Já que o azar que rondava minha vidinha de fotonovela foi assombrar outro pobre homem que não eu.

Mas não vou discorrer sobre todas essas novidades. Não hoje. Não agora. O que importa mesmo agora é que o tal Marcelo ficou no Big Brother. E isso é ultrajante! Só me prova que brasileiro é mesmo um povo estranho. No barato.
E, não bastasse, a Venezuela ta fazendo merda de novo. E caiu mais aviao nesses tempos do que eu ouvi falar em toda minha vida. E Knut, o ursinho, cresceu e virou um urso ameaçador - como a natureza - sábia - predisse. E assim segue...

Só resta cantar, em ritmo de Blue Oyster Cult: O D 'd On Life... Life Itself.